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João Pesssoa, 30 de outubro/2008.

Cerâmica interditada terá audiência com o MPT


A Procuradoria Regional do Trabalho na Paraíba realiza amanhã (sexta-feira) audiência, às 10 horas, com o representante legal da Cerâmica Espírito Santo, que foi interditada na semana passada após fiscalização feita pelo Ministério Público do Trabalho e a Superintendência Regional do Trabalho. Na audiência, a empresa poderá explicar as precárias condições de trabalho às quais os trabalhadores eram submetidos e que motivaram a interdição.

Na fiscalização coordenada pelo auditor do Trabalho José Ribamar e pelo procurador do Trabalho Eduardo Varandas, os trabalhadores foram encontrados sem equipamentos de proteção individual e até mesmo descalços. As paredes estavam sob risco de desabamento e a água do local, imprópria para consumo. A sujeira das instalações sanitárias impedia o uso pelos trabalhadores, que preferem fazer as necessidades fisiológicas do lado de fora. Também constatou-se a precariedade do maquinário e das instalações elétricas.

A Cerâmica Espírito Santo já havia firmado Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, mas o documento foi descumprido, permanecendo com a prática do trabalho degradante. A empresa é reincidente em acidentes no trabalho. De acordo com o trabalhador José Guilherme Pinto, um empregado teve a mão decepada há cerca de três anos, enquanto desempenhava suas atividades. Além disso, pequenos acidentes ocorrem com freqüência. José Ferreira Gomes, que também trabalha na Cerâmica, disse que “a remuneração sempre atrasa e é abaixo do salário mínimo”.